quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Jáder Carvalho



TERRA BÁRBARA



Na minha terra, as estradas são tortuosas e tristes 
como o destino do seu povo errante. 
Viajor, se ardes em sede, 
se acaso a noite te alcançou, 
bate sem susto no primeiro pouso: 
- terás água fresca para a tua sede, - 
rede cheirosa e branca para o teu sono. 

Na minha terra, o cangaceiro é leal e valente: 
jura que vai matar e mata. 
Jura que morre por alguém e morre. 

(Brasil, onde mais energia: na água, que tem um só destino, 
do teu Salto das Sete Quedas ou na vida, que tem mil destinos, 
do teu jagunço aventureiro e nômade?) 
Ah, eu sou da terra do seringueiro, - 
o intruso que foi surpreender a puberdade da Amazônia. 
Eu sou da terra onde o homem, seminu, planta de sol a sol 
o algodão para vestir o Brasil. 
Eu nasci nos tabuleiros mansos de Quixadá 
e fui crescer nos canaviais do Cariri, 
entre caboclos belicosos e ágeis. 
Filho da gleba, fruto em sazão ao sol dos trópicos, 
eu sou o índice do meu povo: 
Se o homem é bom - eu o respeito. 

Se gosta de mim - morro por ele. 
Se, porque é forte, entendesse de humilhar-me, 
- ai, sertão! eu viveria o teu drama selvagem, 
ou te acordaria ao tropel do meu cavalo errante, 
como antes te acordava ao choro da viola... 


JÁDER DE CARVALHO

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